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domingo, 15 de novembro de 2009

Especial Frank Aguiar

Os sonhos de um sonhador
Entrevista com o cantor e político

Volver: Dos cenários piauienses escolhidos para a gravação. Qual o seu favorito?

Frank: Não dá para dizer. O Piauí é muito bonito. E eu estou muito feliz e orgulhoso por estar mostrando esse Piauí positivo que o Brasil não conhece. Eu sempre digo que os brasileiros não conhecem o Brasil, e o Piauí é maravilhoso, é lindo. Geralmente quando a gente tem oportunidade de ver lá fora, são cenas tristes, é enchente, é de seca, é de miséria, e eu não permito mostrar no filme coisas assim, até porque a gente tem muita coisa boa e positiva para mostrar do estado. Então nós começamos no Delta do Parnaíba, pelo litoral, lagoa do portinho, quebra mar, pedra do sal que é linda. Tem as cenas simples, tem, mas com grandeza, por exemplo, eu estou tocando numa barraquinha, para meia dúzia de pessoas lá, tomando caipirinha, cajuína, e tal, e imagine a fotografia do filme, o fundo do cenário por traz, a pedra do sal, aquelas dunas, é uma coisa indescritível. E aí viemos para a capital, aqui tem um cartão postal muito bonito, Teresina cidade mais verde, linda, apesar de calorosa, quente, mas ela tem verde, tem o calor das pessoas e o filme traz muito isso, daqui vamos para Picos e Itainópolis, a cidade onde eu nasci. Picos é a região que morei e a partida da rodoviária no ônibus Itapemirim, essa cena vai ser forte, em seguida nós vamos para serra da capivara, São Raimundo Nonato, onde vamos estar mostrando outra beleza, arqueológica, o Parque Nacional da Serra da Capivara, muito bonito, com um contexto histórico muito bacana, que o mundo vai ficar encantado quando ver, ouvir e aprender toda aquela escola lá, de vida. Do surgimento dos homens, da América, que acredito que foi aqui. Pelo menos é o que a história comenta, diz. De lá nós vamos sair para São Paulo, a cidade onde eu fui revelado, e de ônibus, com a equipe toda parando naquelas paradas mais inusitadas onde há 20 anos atrás eu vivenciei. E ai eu vou retratar a história de todos os imigrantes quando saem de suas origens, deixam sua gente, sua família, em busca da cidade, dos sonhos, das oportunidades. Esse momento vai ser bastante emotivo também, porque todo mundo vai viajar na sua história, voltar no tempo, saudade, e aí eu vou mexer com isso nos brasileiros, tenho certeza que no final de tudo vai da tudo certo, e aí vai ser só festa.

Volver: Qual a cena que você já nutre as maiores expectativas para ficar pronta? Você já tem uma preferida?

Frank: Agora eu tou me vendo como fazer um disco, tem um disco lá com 14 faixas e a princípio tem uma música da minha preferência, mas quando ele termina, no ato da finalização, ai eu vejo que a música que mais cresceu não era aquela da minha preferência, foi aquele que teve o melhor arranjo, uma coisa diferenciada, ai termina não sendo a que eu escolhi, portanto hoje, eu ainda não sei qual será a cena, mas imagino que a partida vai ser um momento que vai marcar muito, o meu encontro com o Padre Darli da Escola Diocesano, é um momento que tem essa história do menino, humilde, simples que trabalha, que quer o estrelato, que quer fazer sucesso, que é artista, que é músico, mas que não esqueceu de ir pra escola se educar, se aperfeiçoar e aprender. O Padre dizia assim pra ele (já foi gravada essa cena e eu chorei bastante, acho que não vai sobrar mais lágrima pra o lançamento não, eu assisto dois filmes, o que eu vejo filmar e o que passa pela minha cabeça), eu dizia: Padre é aqui que eu quero, eu vim de longe, de uma família humilde e eu não sei nem onde ficar ainda, Padre! E o Padre disse: Meu filho, você veio de longe e tá dizendo que não sabe nem como vai pagar o pensionato, a escola tem muita despesa, é uma escola particular e aonde é que você quer chegar? Ai ele chora respira, ai nesse momentinho que ele respirou e chorou, eu chorei dez vezes também, porque eu sabia e sei onde quero chegar e acho que cada um que vai assistir esse filme vai ficar imaginando seus sonhos. O Padre disse: Dá licença, que eu tenho quer sair pra missa e daqui a pouco, quando você tiver suas alternativas, você me procure. Ai eu fiquei triste, mas ainda acompanhei o padre e assisti a missa. Em um momentinho, eu pego o teclado, faço um belo solo, aí o Padre se admira e tal, quando o Padre se aproxima, eu penso: É agora que vou ganhar minha mensalidade! Ai você chora de emoção, você sorri, com essa dinâmica toda das pessoas pensarem, se sensibilizarem, se emocionarem e também sorrirem. Ai a noite foi só alegria, na cena que foi gravada na pensão da Dona Chica. O filme tem muitos momentos assim... Que eu não vou contar tudo, mas vocês vão ficar sabendo de algumas coisas que tão acontecendo.




Volver: E o Piauí que o mundo vai conhecer através do filme?

Frank: O mundo tem uma imagem que aqui é terra de índio, é de jumento, é de rapadura, farinha seca e de miséria. Teve um momento que nós fomos gravar no Centro cultural, lá em Parnaíba, Centro Histórico – lindo lá. Ai o cara me bota um jumento e uma carroça e eu tava conversando com o pessoal e não vi quando ele colocou o jumento na cena. Quando eu vi aquilo, pense em um “caba” revoltado e estressado: “Rapaz, tu não tem noção não, meu amigo?” E o diretor de figuração: “Porque? Tá bonito... Tá romântico aqui a carrocinha...” “Rapaz, pois não é isso que eu quero que o Mundo veja, rapaz aqui tem carro, tem avião, tem aeroporto, tem tudo, cara... Tem progresso, imagina se eu vou perder uma oportunidade dessa, de mostrar pra todo o mundo? Tire isso daqui agora, homem, pelo amor de Deus” Ai ficou atrás muito artesanato, muita coisa linda.

Volver: Qual o maior sonho do sonhador? É o filme realizado?

Frank: Hoje o maior sonho do sonhador é a realização do filme, mas ainda assim tenho muitos sonhos, os sonhos não acabaram. O filme traz a mensagem daquele menino que cai, mas se levanta. Daquele menino que chora, mas que tem resistência pra continuar a vida, mas uma coisa ele nunca deixa, que é a capacidade de sonhar.

Volver: Tem o filme que conta a história do Frank Aguiar e quando vai ter o livro? Você tem pretensões na linguagem escrita?

Frank: Sim! O livro vai sair junto com o filme, vai ser um livro belíssimo, que a gente ainda não tá divulgando, pra não mudar o foco. Mas ele virá junto com o filme também.

Volver: E o título do livro? Será o mesmo do filme?

Frank: Possivelmente combinará com o do filme, o filme tem mais ação, mas a linguagem escrita vai envolver mais, acredito.

Ao final, quem diria? Recebemos elogio de um Frank satisfeito, que ainda ressaltou que fomos autênticas e muito profissionais. “Olha que eu tava imaginando que vocês iam chegar perguntando sobre a história de cãozinho dos teclados e o porquê do AUUU – que eu não aguento mais responder, mas não! Tão de Parabéns! Precisando de qualquer coisa, estamos aí”.
Quando dissemos que a entrevista ia para um blog de uma disciplina de web... Frank logo disparou: “Fiquem a vontade para publicar. Minha intenção é exatamente essa. Dizer pra o mundo, pras pessoas, contar essa história e incentivar, porque se vocês observarem, as pessoas ou maioria delas, são pessimistas, já vão logo: “Olha é muito difícil fazer isso” “Não tem nem como” e desistem antes de começar, depois de assistir esse filme: esquece! Todo mundo vai achar: “Olha, eu sou muito é fraco, esse cara tinha uma dificuldade da peste e conseguiu, como é que eu não vou realizar o meu sonho?”Ai ele já sai da sai de cinema feito uma fera, pra se formar, pra ser doutor, pra ir atrás de um emprego, botar um negócio. É estímulo, é muita motivação o filme.”

VEJA NO ARQUIVO VOLVER:

MAIS INFORMAÇÕES EM:






VEJA TRECHO DA ENTREVISTA






Por: Ana Isabel Freire (anaisabel_freire@hotmail.com); Mariana Guimarães (mariana-guimaraes@hotmail.com); Nina Nunes (nina_quasenada@hotmail.com)

Cumbuca Cultural

A amostra cultural visa valorizar os talentos regionais
Gravação de DVD e apresentações garantem o sucesso do evento

Acontecerá nos dia 20 e 21 de novembro, a III edição da Amostra Cumbuca Cultural, no Espaço Cultural Noé Mendes na Avenida Petrônio Portela, próximo à ADUFPI.

O evento terá a participação de dez artistas locais, entre eles, Batuque Elétrico, Validuaté, o Conjunto Roque Moreira, entre diversos outros destaques da música piauiense.

O Cumbuca Cultural, criado em 2006, na capital Teresina, foi um projeto idealizado pelas bandas Batuque Elétrico, Validuaté e Captamata. Inicialmente, o movimento visava tornar público os talentos da música local. Desde então, não parou mais.

A primeira Amostra aconteceu em novembro de 2007, com as bandas Validuaté, Batuque Elétrico, Captamata, Roque Moreira e a estreante Cadêloscopos. Projeto este, que rendeu seu primeiro DVD gravado pelas bandas em conjunto, o DVD AMOSTRA CUMBUCA CULTURAL. Em março de 2008, concretizou-se a II edição, com as quatro primeiras bandas do I Amostra Cumbuca Cultural, juntamente com o grupo Fragmento de Metrópole, outra novidade da música piauiense. Neste festival, houve o lançamento do primeiro DVD da Amostra.

A III edição do evento será aberta pela banda Eucapiau, a partir das 21 horas. Logo depois, se apresentarão FullReggae, Captamata, Roque Moreira e Teófilo Lima. Além das apresentações dos talentos piauienses, o festival gravará o segundo DVD AMOSTRA CUMBUCA CULTURAL.
Veja a programação:

Gravação do 2º DVD Amostra Cumbuca Cultural

SEXTA (20/11)
Eucapiaui
FullReggae
Captamata e os Ninguéns
Conjunto Roque Moreira
Teófilo Lima

SÁBADO (21/11)
Clínica Tobias Blues
Eita Piula
Radiofônicos
Batuque Elétrico
Validuaté


MAIS INFORMAÇÕES : Site oficial do evento

Veja mais sobre a banda Validuaté

Arquivo Volver: Entrevista com Validuaté



Por: Ana Isabel Freire (anaisabel_freire@hotmail.com) - Mariana Guimarães (mariana-guimaraes@hotmail.com) – Nina Nunes (nina_quasenada@hotmail.com)

O Woodstock é aqui

Festival de música: Teresina Capital do Rock homenageará os 40 anos do Woodstock
Com apresentações artísticas, workshops, exposições, filmes, o evento promete balançar o cenário musical piauiense



Acontecerá nos dia 19 e 20 de novembro, a IV edição do festival Teresina Capital do Rock, no complexo Clube dos Diários. Com o tema, “O Woodstock é aqui”, a edição deste ano prestará homenagens aos 40 anos do mais importante festival de música da história mundial, o Festival Woodstock, seguindo das homenagens ao cantor e compositor brasileiro Raul Seixas e à artista piauiense Maria da Inglaterra.


O festival, aberto ao público, contará com apresentações artísticas, workshops, exposições, filmes e comercialização de produtos do gênero, tudo em referência ao rock. O objetivo da edição deste ano não é somente homenagear os grandes nomes do rock, mas, despertar nos jovens, o gosto pela música.


O primeiro dia do festival será aberto com exposições sobre o Woodstock, e, à noite, às homenagens serão prestadas à Maria da Inglaterra, onde serão exibidas exposição e um show com participação de Dimas Bezerra, Gabi, Os Oliveiras, Soraya Castelo Branco e Edvaldo Nascimento.

Este ano, a organização optou por escolher bandas, que em sua maioria são desconhecidas pelo público, e, que nunca se apresentaram em nenhuma das três edições que o festival já teve.
“Teresina Capital do Rock” tem o patrocínio da Fundação Cultural do Piauí – FUNDAC, através do Sistema de Incentivo Estadual à Cultura – SIEC.

PROGRAMAÇÃO DO TERESINA CAPITAL DO ROCK 2009, DIAS 19 E 20 DE NOVEMBRO

Dia 19.11.2009 - Quinta-feira

Sala Torquato Neto
12:00: Exibição do filme Woodstock
15:00: Apresentação de Bandas Novas de Rock
18:00: Workshop com guitarrista nacional - Faiska
Galeria do Clube dos Diários
19: 00: Abertura da Exposição Temática
Espaço Osório Júnior
19:30: Homenagem à cantora popular Maria da Inglaterra
20:00: Shows com artistas locais homenageando Maria da Inglaterra.
21:00: Apresentação de bandas novas de rock

Dia 20 - Sexta-feira

Sala Torquato Neto
12:00: Exibição de documentário sobre a vida de Raul Seixas.
15:30: Apresentação de Bandas Novas de rock
18:00: Workshop com guitarrista convidado
Galeria do Clube dos Diários
Exposição Temática
Espaço Osório Júnior
19:00: Show com Bandas Novas de Rock
21:00: Show “Toca Raul” - com artistas locais.



Se informe mais em:


VEJA O QUE O APOLO NEWS PUBLICOU




LOCALIZAÇÃO:


Por: Ana Isabel Freire (anaisabel_freire@hotmail.com) - Mariana Guimarães (mariana-guimaraes@hotmail.com) – Nina Nunes (nina_quasenada@hotmail.com)

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Validuaté

Esse Vale fica perto da onde, menino?
Do Até, oras


Até que poderia ser Vale, mas não é. O nome Validuaté não surgiu de nenhum Vale, de nenhuma cidadezinha estranha com esse nome. O nome vem de VALIDADE, isso mesmo! Quando você pega um biscoito e atrás dele tem escrito até quando é saudável comê-lo, tem assim: VALIDO ATÉ. Pois foi nisso que Anderson Canibal (ex-integrante da banda) pensou quando sugeriu o nome - O VALIDO ATÉ, que foi aglutinado e tornou-se o: Validuaté, a banda teresinense que embala os jovens da cidade com uma mistura de ritmos, poesia e MUITA criatividade.

Dentre as peculiaridades que envolvem a banda, o nome pode ser até a principal, mas não é a única, por exemplo: o grupo é formado por professores, só um, dos cinco integrantes, não leciona e com esse também ocorre mais uma curiosidade estranha: Ele nem mesmo reside em Teresina, vem de União (sua cidade) só para ensaios e apresentações. A Banda que já está na estrada há 5 anos, mas precisamente há 5 anos e 5 meses, já que surgiu em Maio de 2004, conta com os professores, digo, com os integrantes: José Quaresma professor de Português e Inglês que comanda o vocal; Thiago também professor de português, também no vocal, mas além disso no cavaquinho e pandeiro; Vazin, professor de Geografia, na guitarra base; Wagner, professor de Português e mestrando da USP, toca contra-baixo; Jonh Well, baterista, dá aulas de música e por fim, direto de União, Júnior Caixão, que não é professor, mas é o guitarrista solo da banda Validuaté.

A iniciativa para formação da banda surgiu através do vocalista Quaresma e do guitarrista Júnior Caixão, os dois já tinha uma banda que era a “papel de parede”. Mas que quase nunca se apresentava. As reuniões da banda ocorriam quando se aproximava o Festival “Chapadão”, no qual a banda se apresentou em 2002, 2003 e 2004. A banda adquiriu uma formação em 2004 e não alterou quase nada até os dias atuais. O segredo para longevidade do convívio advém do respeito e consideração por parte dos integrantes. Segundo, Thiago, tudo acontece de forma bastante democrática entre eles.

Com dois CDs lançados, o primeiro “Pelos Pátios Partidos em Festa” e mais recentemente o “Alegria Girar”, que já é sucesso. Com letras primorosas e inventivas, melodias românticas e engraçadas, uma performance inconfundível, principalmente por parte do “serelepe” Thiago E, a banda “Validuaté” tem fãs e seguidores pelo Piauí inteiro - Tanto que venceu por maioria nossa enquete... E por isso, teremos uma entrevista com eles aqui no VOLVER. LOGO MAIS!

Quaresma e Thiago E (representando a banda. Visto que um integrante mora em União e outro se encontra em São Paulo) nos receberam no pátio de uma escola, onde os dois fazem preparatório para concursos. Atrasados para a aula, mas com muito bom-humor e paciência, os dois riram, nos divertiram e ficaram preocupados com o sinal que toda hora tocava (garotos responsáveis, não?). O Quaresma ia moldando a entrevista de acordo com a suavidade de sua voz e respostas. Já Thiago E com toda inquietude e imaginação, acrescentou ao ambiente, um tom poético, singelo, quase infantil. Tanto que uma das integrantes logo desconfiou que ele era o caçula da banda, mas nem é. Mas que parece, parece. Quaresma assumindo uma postura de pai, brigou com o filho Thiago falante: "Tá bom, vá pra aula meu filho. Ham!" Na verdade, ele devia ter brigado com a equipe Volver que se empolgou no papo (risos).


Você pediu, a gente obedece! Especial Validuaté

A lenda do peixe Francês

Vote no Validuaté no concurso: Cantos do Piauí

Saiba mais sobre a banda

Novo CD “Alegria Girar”

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My Space do Validuaté

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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Divino Encanto

Religiosidade, fé e música
Documentário de Luciano Klaus mostra os cantadores de Amarante


Luciano Klaus, jornalista piauiense, iniciou a carreira como fotógrafo e músico, integrando por 12 anos o Grupo Ensaio Vocal. Em 2005, em uma dessas viagens de fotógrafo e pesquisador, Luciano entrou em contato com um grupo de cantadores em Amarante. A paixão pela música, fez com que ele pesquisasse mais profundamente a manifestação cultural proporcionada pelos cantadores e para tanto adentrou a zona rural e interior de Amarante. Além da pesquisa, ele começou a fazer um registro fotográfico, mas ainda assim, as fotos e pesquisa não contemplavam aquilo que Luciano queria divulgar – uma cultura regional forte e apaixonante, envolta pela música.

Trecho da entrevista com Luciano Klaus


Com intuito de dar à manifestação a merecida valorização, Luciano Klaus viu na produção de um documentário a perfeita união: Imagem, história e música...! Ai entra em cena, o IV DOCTV – O Programa de Fomento à Produção e Teledifusão do Documentário Brasileiro, o DOCTV, nasceu em 2003 como uma política da Secretaria do Audiovisual voltada à produção de documentários na TV Pública. O programa tem o objetivo de patrocinar, orientar e possibilitar a produção de documentários de produção independente em todo o País. O programa é uma realização da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, da TV Cultura, da Associação Brasileira das Emissoras Públicas Educativas e Culturais (ABEPEC), da TV Brasil e recebe o apoio da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas (ABD Nacional).

Com projeto do “DIVINO ENCANTO” em mãos, Luciano foi o escolhido para representar o Piauí. Sem nenhuma formação específica para produzir documentários, além do apoio da equipe que ministrou as oficinas do DOC TV, Luciano contou com sua afinidade com a fotografia e a música. O documentário tem como pano de fundo a festa do divino – que é uma comemoração que tem sua origem associada a uma promessa feita, ainda no Século XIV, pela rainha D. Isabel, de Aragão, casada com o rei D. Dinis, de Portugal, ao invocar o Espírito Santo em favor da pacificação dos conflitos familiares que punham em risco a própria unidade do reino. Com o tempo, espalhou-se pelas colônias portuguesas e pelo mundo ibérico, e, atualmente, pode considerar-se como uma festa universal, talvez a mais rica em simbologia.

Peregrinação do Divino


O documentário teve repercussão nacional (exibido em 25 de Junho de 2009, de lá pra cá- com várias reprises ). Luciano que optou por esse tema, por considerá-lo relevante e em contrapartida pouco divulgado, teve seu objetivo alcançado, pois através das exibições da TV Cultura e demais TVs públicas, DIVINO ENCANTO foi um sucesso e agora os nossos artistas da terra tem registrado seus cantos e encantos de fé, através das lentes de Luciano Klaus.


O Documentário – o que passou na telinha


O Documentário DIVINO ENCANTO retrata a peregrinação dos cantadores do Divino na cidade de Amarante, em especial a do cantador e lavrador Zeca Tatu, mais conhecido como Tatuzinho. A relação do protagonista com a fé é mostrada no pagamento de uma promessa ao divino, sua penitência é ir de casa em casa cantarolando, cumprindo a famosa “desobriga”. A simplicidade da relação com a divindade, a fé inabalável, a luta e força de vontade desenvolvida por Zeca Tatu, no documentário, representa milhares de pagadores de promessas de todo o Brasil.

A interação com os moradores do sertão que recebem os cantadores, que abrem as portas de suas casas e oferecem “esmolas”, configuram a imagem do povo acolhedor e unido pela fé. Em muitos lugares do Sertão, a expectativa pela chegada dos cantadores (chega a ser comovente), lugares praticamente desabitados, onde os cantadores levam bênçãos e mensagens divinas.




No sertão, cantador toca


Outro ponto forte do documentário é o cruzamento da religiosidade do povo e a religiosidade instituída pela Igreja. O mundo da instituição religiosa - através da Igreja católica – com regras, preceitos, dogmas e o mundo da fé viva e personalizada na cultura do povo, que se manifesta a todo o momento. Zeca Tatu, que estava há oito anos sem freqüentar a Igreja, mas ainda assim possuía uma religiosidade aflorada, necessitou de autorizações e deveres para poder cumprir a desobriga. O padre impôs que ele comparecesse as missas, se confessasse regularmente, além de efetuar doações, à Igreja, das quantias arrecadadas.

O documentário mostra a dura realidade de luta e esperança dos “esquecidos”, dos “desventurados”, a fé incondicional, a fé que os faz enfrentar as maiores dificuldades e provações, e seguir sobrevivendo, acreditando que tudo pode melhorar. Para representar a dureza da vida no sertão, a fotografia do documentário o faz muito bem, através das cores fortes, intensas, que transpassam para as telas o efeito maçante do intenso calor. As cores chamativas estão bem posicionadas e remetem a ligação com a divindade, além da música do documentário ser marcante, principalmente por destacar um traço regional, quando cantada pelos cantadores.


Por trás das câmeras


Luciano considera o documentário como uma das experiências mais enriquecedoras de sua vida, por essa razão quer continuar fazendo documentários. Uma das dificuldades encontradas na produção de DIVINO ENCANTO foi o calor excessivo durante as gravações, que ocorreram no mês de Novembro em pleno sertão piauiense, “a equipe não podia parar de jeito nenhum, era o tempo inteiro correndo atrás do povo”, conta Luciano.

Uma particularidade da história de Zeca Tatu que chamou a atenção de Luciano foi a de quê: Na maioria dos casos, o pagador de promessa contrata um grupo de cantadores para cantar, enquanto ele apenas carrega a imagem ou bandeira do divino. Mas nesse caso, Zeca Tatu além de pagador de promessa, era um dos cantadores, o que torna o documentário mais envolvente, pois o protagonista cumpre seu papel em todas as dimensões.

O surgimento do padre no enredo deu outro viés ao documentário, no primeiro momento a surpresa assustou Luciano, no entanto, a intervenção do padre reforçou o roteiro e acrescentou um tom crítico e reflexivo a respeito do papel da Igreja. “O padre não queria deixar que o tatuzinho cumprisse a promessa dele, porque a Igreja católica detém o poder sobre os símbolos religiosos. Então para qualquer pessoa pagar uma promessa pro divino Espírito Santo, precisa de uma autorização expressa e assinada pelo padre. Sem essa autorização, coisa que nós soubemos na hora, não era viável o cumprimento da promessa. Então o padre entra na história, meio que enviesado, não esperava por isso, tanto que a primeira parte do documentário é basicamente sobre esse conflito.” Relata Luciano.


Momento característico da manifestação religiosa


Através do contato com a cultura do povo Amarantino e das manifestações religiosas. Luciano já consegue formular opiniões embasadas sobre religiosidade, fé e instituição. O pensamento de Luciano acerca da intervenção da Igreja nas manifestações populares é: “O que parece é que a Igreja tem receio de que aproveitadores lucrem dessa simbologia e dessa fé do povo para ganhar dinheiro - A preocupação da Igreja é essa. Mas em sua maioria, os pagadores de promessas são pessoas que estão necessitadas de se apegar a alguma coisa, que precisam ver seus pedidos atendidos. E quando o pedido é concedido, eles se sentem como se tivessem uma dívida e não sossegam enquanto não pagam. Imaginar que uma pessoa humilde que nem o Zeca Tatuzinho vá enricar com a “esmola” (doação de galinhas, ovos, pães, dinheiro), não tem sentido. Segundo a Igreja, quem quiser pagar uma promessa, vai ter que aproveitar a desobriga da Igreja, para pagar junto com todo mundo e doar uma parte a ela. Enxergo com muita preocupação essa “intervenção”, pois a fé e religiosidade existem antes da Igreja, já é uma coisa embutida na nossa cultura.” Alerta preocupado Luciano.


O que vem em seguida? – Carreira de Luciano


Devido a forte ligação com a música, Luciano pretende seguir com os documentários e continuar trabalhando com a temática: cultura popular e música. Nessa perspectiva o Reisado de Boa Hora, muito interessa a ele. “É um acontecimento forte da nossa cultura, se pensar em cultura popular no Piauí, em forma de cultura, temos esse reisado de Boa hora”. Conta entusiasmado Luciano.

Um dos outros planos profissionais de Luciano é a realização de um curta-metragem de um conto do Assis Brasil – com quem ele já ensaiou algumas conversas de como transformar o texto em vídeo. O conto é “Alexandre, o pequeno”.

A torcida da equipe VOLVER é para que esse talento genuíno, que é o Luciano Klaus, continue produzindo e levando a nossa cultura além das fronteiras regionais. O Piauí é um estado rico culturalmente e nada mais justo, do que essa riqueza ser divulgada e devidamente reconhecida Brasil a fora.

Ficha Técnica do documentário:

O documentário aborda o misticismo que envolve os cantadores do Divino do sertão piauiense, um dos locais onde essa manifestação cultural e religiosa se mantém bastante presente como cultura no cotidiano dos moradores da região.

Duração: 52 minutos

Autor e Diretor: Luciano Klaus

Co-produção: Luciano Klaus Chroma Comunicação TV Antares ABEPEC - Associação Brasileira de Emissoras Públicas, Educativas e Culturais. ASCOM/UNIVIRR

Assista um bate-papo com o diretor do documentário - DIVINO ENCANTO - Luciano Klaus

Veja a chamada do documentário - DIVINO ENCANTO



Por: Ana Isabel Freire (anaisabel_freire@hotmail.com) - Mariana Guimarães (mariana-guimaraes@hotmail.com) – Nina Nunes (nina_quasenada@hotmail.com)

-fotografias do acervo de Luciano Klaus.