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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Participe você também!

O time de basquetebol sobre cadeira de rodas, precisa de você
ESPORTE: Uma ótima oportunidade para inclusão e aceitação

Muitas pessoas que já nasceram deficientes, ou mesmo as que adquiriram após a vida adulta, preferem ficar em casa, não se expor nas ruas, até mesmo pelos riscos envolvidos, por conta da ausência de acessibilidade. Alguns se recolhem devido o receio do olhar do outro, do preconceito alheio. Entretanto, condição essencial para a abolição do preconceito de terceiros, é a aceitação pessoal. Aceitação que vem quando a pessoa reconhece seu valor.

José Filho, que antes também não gostava de sair de casa, depois de se tornar atleta, tem outra mentalidade acerca do preconceito: “A pessoa quando fica deficiente tem o preconceito de sair na rua, mas isso não tem nada a ver, a discriminação está na cabeça de cada um”, comenta.

Exemplos como o time de basquete vêm mostrar que não é uma limitação física que torna a pessoa incapaz de viver como qualquer outra, mas uma forma a mais de aperfeiçoar certos dons que só conseguiram descobrir a partir da deficiência. “Eu nunca me imaginei pegando numa bola, muito menos sendo um jogador profissional, nunca tinha pensado em um dia ser filiado a uma federação, a gente cresce na dificuldade”, lembra Renato.

O Time de Basquete de Cadeirantes de Teresina precisa de atletas. Talentos, que estão em casa escondidos em seus próprios preconceitos e medos, esperando para serem descobertos. Qualquer um, pode se filiar ao time e fazer um teste, ou mesmo só treinar. José diz que além do participante ganhar um novo estímulo de vida, também ganha uma turma de irmãos, pra conversar, se distrair e trocar experiências. Se você é deficiente ou conhece alguém que se interesse.

Entre em contato através de:

ASCAMTE – Associação dos Cadeirantes do Município de Teresina
Presid. Silvana (8811-9377), resid. (3222-6486)
End: Edifício Paulo VI, Av.Frei Serafim



Opinião - APOLO NEWS - Acessibilidade


VEJA O CONVITE FEITO POR MAURÍLIO


Por: Ana Isabel Freire (anaisabel_freire@hotmail.com) - Mariana Guimarães (mariana-guimaraes@hotmail.com) – Nina Nunes (nina_quasenada@hotmail.com)

Esporte e superação

Cadeirantes dão exemplo de força de vontade
Time de Basquete sobre cadeira de rodas além de premiado, enfrenta o preconceito e inclui atletas na Capital
Segundo lugar no regional nordeste, Terceiro lugar no Brasileiro e Bicampeão do Maranhão, todos em 2009. Esse foi o resultado de um trabalho que começou em 2003. O time de Basquetebol de Cadeira de Rodas de Teresina formado por 14 atletas das mais diferentes limitações, é a prova concreta de que o esporte se praticado com persistência e seriedade, sejam eles na categoria olímpica ou paraolímpica, geram resultados satisfatórios e engrandecedores.
Em 1958, o Brasil ingressou na atividade paraolímpica através do basquete de cadeiras de rodas. Em 2006, o Piauí formou sua primeira equipe de basquetebol em condições de disputar competições oficiais. Antes, eles não tinham tanto incentivos, nem tantos atletas interessados. No primeiro campeonato disputado, os competidores dos outros estados chegaram a dizer que a equipe Piauiense utilizava carroças e não cadeiras. Superado o problema “estrutural”. Ano seguinte, a equipe conseguiu o 3° lugar no Brasileiro. O olhar dos outros atletas mudou, “eles vêm do Piauí, competindo a pouco mais de um ano e já conseguem um pódio?” – Esse é o olhar de quem sabe do esforço por trás de cada conquista.

A ajuda é mútua, as dificuldades são superadas em grupo

Ao contrário do que se imagina, o basquetebol paraolímpico tem as mesmas regras e estrutura do basquete convencional. O tamanho da quadra, a altura das tabelas e o tamanho e peso da bola, são os mesmos para as duas modalidades. O que diferencia é o modo como se joga. Para os paraolímpicos, a cadeira de rodas é fundamental, não como um entrave, mas como um elemento fundamental com o qual eles têm que lidar, só isso.

“Eu gosto do que eu faço, é gratificante, faz bem pra mim e faz bem pra eles também, tenho um convívio diário com eles não só na quadra, mas também fora. Nossa relação é de amizade”. Para o técnico Rex Jone, não é difícil treinar o time, o importante é se adequar ao grau de limitação de cada atleta. Rex ainda acrescenta que não é bom olhá-los com pena ou dó. Eles são pessoas normais, com algumas limitações, mas segundo ele, todo mundo têm limitações. O que diferencia é o grau, mas eles não são incapazes, portanto não tem o porquê de haver um sentimento de pena. O treinador Rex diz que não economiza nos “puxões de orelha”. “Eles treinam sério, por isso nossa equipe evoluiu tanto. E se de repente, um não consegue fazer determinada coisa, ou erra insistentemente, o grupo mesmo apóia, ajuda, dá uma força e ele consegue superar. Eles são capazes!”.

No basquete paraolímpico, os atletas são classificados de acordo com o grau de deficiência. Essa classificação funcional delimita a pontuação máxima que uma equipe deve ter dentro de quadra, que segundo o Comitê Brasileiro de Basquete na cadeira de rodas, a soma máxima não deve ultrapassar os 14 pontos. A disposição quanto à pontuação varia de um a quatro e meio. Quanto menor o número, maior o grau de limitação do atleta.

Alunos de Educação Física também ajudam nos treinos

Arma de fogo, poliomielite e tétano. Essas foram às causas que levaram Maurílio Oliveira, Renato Lima e José Araújo Filho a se encontrarem e lutarem por um mesmo objetivo: provar para eles, que o esporte é mais do que chegarem ao topo do pódio. O esporte é a tão sonhada inclusão, é a oportunidade de se sentirem capazes e fortes diante das dificuldades. Praticar um esporte paraolímpico é um exercício de superação. “Sem o esporte você fica isolado do mundo, quem prática esportes supera o preconceito, as adversidades, faz amizades e até melhora o relacionamento com as pessoas, aqui você encontra alguém que lhe entende, que lhe compreende”. Diz Renato Lima, ala do time.

As posições e pontuações dos atletas entrevistados, são: Maurílio, armador, um e meio (1,5) em função da lesão medular que limita os movimentos de tronco; Renato (ala) e José Filho (pivô), dois pontos (2,0), mesmo tendo poliomielite e amputação da perna esquerda, respectivamente, tem uma pontuação superior em função da maior facilidade de deslocamento e mobilidade.

Com boa vontade e muita simpatia. Os atletas responderam a equipe VOLVER algumas perguntas. CONFIRA:

Volver: Como vocês descobriram o basquete em cadeiras de rodas?
Maurílio: Eu descobri lá no Sarah Kubitschek. Lá, eu encontrei quatro pessoas que faziam tratamento, também com lesão medular. E formamos o time quando chegamos aqui. Apesar de ser um time novo em competição, já temos segundo lugar no regional e terceiro no brasileiro.

Renato: Estava em casa, quando sai para ver um pagode que estava acontecendo do lado. Lá encontrei o Maurílio que me convidou para fazer o teste. Depois fui ate o Círculo Militar fiz o teste e o Rex me convidou para ficar.

José Filho: Eu soube através de um amigo.

Volver: Como vocês se sentem ao entrar em quadra?

Maurílio: Sinto uma emoção muito grande. O basquete é uma das paixões da minha vida. Já jogava antes da deficiência, só adaptei por causa da cadeira. Depois do acidente eu não entrei em depressão, na verdade, eu estava feliz por estar vivo com a minha esposa e meu filho.
Renato: No primeiro regional na Paraíba, quando eu entrei no jogo no terceiro quarto, a primeira cesta que eu fiz, comecei a chorar em quadra. Você entrar em quadra, representar a bandeira do seu estado, vendo todo mundo na arquibancada te dando força e tu fazer uma cesta, ajudar teu time é ganhar, é algo mesmo pra se emocionar.

José Filho: Também fico muito emocionado. Aqui é o lugar onde você se sente bem, você se diverte em quadra, todo mundo se trata de igual pra igual.

Se o time utilizar uma mulher no elenco, ganha um 1 ponto de bônus

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O treino mais parece uma reunião de clube. Todos os melhores amigos se reunindo, momentos de descontração e troca de experiências marcam o treinamento. Mas na hora de treinar sério, todos se empenham, sob o olhar atento e exigente do técnico. É nítido que os jogadores também se cobram, perseguindo melhores resultados, não o melhor resultado dentre os companheiros, mas o melhor resultado, de acordo com sua individualidade. Diante de um empecilho qualquer, o rosto franzido e obstinado, após um acerto o rosto iluminado pela luz brilhante da superação.

Assistir o treino de basquete dos cadeirantes, é compreender, acima de tudo, que todos somos iguais, sim! Entretanto cada um com suas particularidades e diferenças. Em quadra, todos os jogadores se diferenciam, mas isso não tem nada a ver com suas condições físicas ou classificação funcional, os atletas se diferenciam, porque são únicos. Como todos nós somos: Únicos! O esporte praticado por deficientes deixa isso bastante claro. Por isso, não valem comparações, cada um dá o melhor de si. E é justamente assim que qualquer atividade deveria ser encarada, levando em consideração o esforço individual que cada um utilizou para chegar a determinado resultado. Somos iguais, sobretudo, porque todos temos dificuldades e limitações. Seja de qualquer natureza. O importante é o poder transformador presente em cada um.

Renato é só alegria e emoção quando fala do Basquete

Renato poderia estar em casa se maldizendo da vida em frente à TV, assistindo programas esportivos (que são seus favoritos) e invejando o sucesso dos atletas que ele acompanha. Mas não, Renato enfrentou seu próprio preconceito e todos os dias desafia a ausência de acessibilidade da nossa Capital e vai treinar, talvez fosse mais fácil ficar em casa. Mas pergunta ao Renato se seria mais prazeroso? Renato, que sonha em jogar na Seleção Brasileira Paraolímpica, não inveja mais os atletas da TV, afinal de contas, ele tem sua própria rotina e satisfação de atleta. Os desafios existem, resta saber da coragem para enfrentá-los.
VEJA O VÍDEO DO TREINO



MAIS INFORMAÇÕES:

Confederação Americana de Basquete para Cadeirantes


Confederação Internacional de Basquete para Cadeirantes


Paraolimpíadas


Conquista de títulos do time de Basquetebol de Cadeira de Rodas de Teresina


Conquista de títulos do time de Basquetebol de Cadeira de Rodas de Teresina




Por: Ana Isabel Freire (anaisabel_freire@hotmail.com) - Mariana Guimarães (mariana-guimaraes@hotmail.com) – Nina Nunes (nina_quasenada@hotmail.com)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Tratamento de crianças

Profissionais ajudam para que deficiência se transforme em eficiência
Acompanhamento de crianças especiais objetiva a inclusão social e autonomia

“Tive Maria Rita na 31° semana de gestação. Não sabia que ela era deficiente, nem mesmo o médico sabia. Minha filha nasceu com Hidrocefalia. Com 28 dias de nascida, Maria Rita fez a primeira cirurgia. Com oito meses ela já tinha passado por nove”, recorda Emanuela dos Santos Macêdo, de 20 anos, mãe cuja filha de um ano e oito meses faz tratamento do Centro Integrado de Reabilitação- CEIR.

O CEIR, juntamente com o Centro Integrado de Educação Especial-CIES faz parte do Complexo Estadual de Reabilitação em Saúde e Educação Daniely Dias que realiza tratamentos de reabilitação física e psicológica de crianças e adultos portadores de deficiência ou que sofreram algum trauma.

Os tratamentos oferecidos vão desde músico terapia até a hidroterapia

No CEIR são atendidas crianças com deficiência até os 17 anos de idade. “Crianças acima de 18 anos não entram mais. Porque tem uma coisa chamada maturação. A maturação de uma criança tem um período certo para que ela dê respostas motoras e físicas. A criança tem várias fases. Os bebês são prioridades para entrar. Porque os dois primeiros anos são considerados primordiais para o desenvolvimento motor deles. É a fase onde a criança desenvolve muito rápido”, diz a terapeuta ocupacional Fabíola Alvino.

O Centro de Reabilitação trata crianças que sofreram traumatismo na cabeça, paralisia cerebral, paralisia obstétrica, a nível de parto, mielomeningocele e, em raros casos, crianças amputadas. Para esse tratamento, é preciso que a criança tenha um cognitivo mínimo, ou seja, é preciso que ela seja capaz de responder a certas atividades que os terapeutas ocupacionais irão propor.

A terapia ocupacional por sua vez, surgiu após a Segunda Guerra Mundial, quando, o grande número de pessoas com lesões, amputamentos e fraturas gerou uma diminuição da classe trabalhadora no período da Revolução Industrial. Como forma de utilizar esse contingente como mão de obra para as grandes indústrias, médicos e enfermeiros começaram a introduzir “atividades para que essas pessoas pudessem se ocupar, por isso ocupacional. Então ficou ocupar por ocupar. Só que eles viram que não podia ser somente para isso. Eles precisavam um pouco mais de força pra carregar alguma coisa. Precisavam de organização motora. Então surgiram as duas profissões: fisioterapia e terapia ocupacional” comenta Fabíola.

“Faz seis meses que trago minha filha para o tratamento. Ela tem melhorado muito, antes, ela era molinha, não se mexia na cama, e com o tratamento ela já passou a endurecer o pescoço. Está fazendo resultado”, relata a mãe de Maria Rita contente com o progresso do tratamento.

O tratamento a que se refere Emanuela, mãe de Maria Rita, é feito pelos terapeutas ocupacionais que consiste na “atividade do brincar” visando aprimorar a coordenação motora da criança. Segundo a terapeuta, “Nosso foco é a atividade de vida diária, ou seja, o vestuário, a alimentação e a higiene. É fazer com que a criança saiba escovar os dentes, abrir o tubo de pasta, pentear o cabelo, levantar da cama. Todas as atividades desempenhadas por ela, sem nenhum auxílio. Quando a criança perde a capacidade motora, ela não sabe fazer isso sozinha. E a atividade de vida da criança para fazer com que ela organize é o brincar dela. Já que é a única obrigação de uma criança, brincar”.



Entretanto, as brincadeiras devem seguir um padrão. Cada tipo de brinquedo deverá corresponder a uma faixa etária. “A criança tem que brincar de acordo com a idade dela. Começar a desenvolver as etapas motoras corretamente dentro da sua atividade da vida diária que é o brincar. Mas brincar de acordo com a idade dela. A gente dá um estímulo pra criança através da brincadeira. Deste modo, podemos ver qual sua lesão e o que ela pode estar nos respondendo. Assim, caso ela precise de um alongamento, passará a ter o acompanhamento de um fisioterapeuta”.

A relação com a família da criança é desde o início, tida como importante para o tratamento. As famílias são informadas durante todas as etapas, desde a primeira avaliação, durante as avaliações trimestrais, quando o quadro evolutivo da criança passa pela análise de uma equipe, até o dia em que essa criança receberá alta.



As patologias mais comuns no Estado são a paralisia cerebral e mielomeningocele. Esta última ocorre quando o tubo neural não fecha durante a gestação, fazendo com que a criança nasça com a medula exposta. O CEIR atende a uma quantidade de casos de mielomeningocele, próximo ao da AACD central de São Paulo, que atende casos de todo o país, ao contrário do CEIR cujo atendimento se restringe ao Estado do Piauí e cidades vizinhas. Essa doença pode ter várias causas e para descobrir quais as freqüentes no Piauí, o CEIR planeja iniciar um estudo, fazer um levantamento do perfil das crianças e das famílias.

Os tratamentos desenvolvidos com crianças deficientes são formas de promover a inclusão dessas crianças na sociedade, dando a elas liberdade para que elas possam desempenhar suas atividades diárias com maior autonomia, de modo que elas consigam ver as limitações, não como adversárias de si mesmas, mas para que aprendam a lidar com elas de modo que possam ser superadas.
Dançando a alegria da vida! VIVA CAMILA


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Por: Ana Isabel Freire (anaisabel_freire@hotmail.com); Mariana Guimarães (mariana-guimaraes@hotmail.com); Nina Nunes (nina_quasenada@hotmail.com)